quarta-feira, 1 de agosto de 2007

As reportagens de Lilian Newlands

Lilian no avião, Rondônia, 1982, foto A. Ramos




Jornalista de larga experiência, tendo trabalhado muitos anos no Jornal do Brasil, Lilian fez várias viagens a Rondônia na década de 80. Na primeira delas, em 1982, em companhia do fotógrafo Aguinaldo Ramos, viajou com Apoena Meirelles por várias aldeias, buscando recuperar a história de Possidônio Cavalcanti, jornalista que, tendo optado por ser indigenista, tinha sido morto pelos Cinta-Largas dez anos antes.



Possidônio e índio suruí, década de 1970.










Nas reportagens, Lilian Newlands reconta a saga de Apoena:
Foi naquele final dos anos 60 que Apoena vivenciou uma experiência que deixaria para sempre marcas de um afeto e uma amizade incondicionais – com os Surui de Rondônia.
Um longo tempo se passou até que o filho de seu Chico estabelecesse o primeiro contato face a face com um integrante desse povo. Desprezando todas as precauções aconselháveis pelos que exercem o ofício, Apoena, completamente sozinho, embrenhou-se mata a dentro e, despido, correu precipitado ao encontro do Surui Nauara, num gesto histórico inesquecível de coragem e humanidade.
- Ele tremia e eu também, confessou anos mais tarde, ressaltando que essa tribo foi a primeira que ele contatou sozinho, daí sua compreensível importância na vida do sertanista.


Apoena na Presidência Funai, com Denise

Lilian fala também sobre Denise, mulher de Apoena, a quem acompanhou em visitas a várias tribos da região:
As noites antigas e frias passadas às margens do rio Pakaas-Novos, de águas escuras e apressadas, marcaram uma passagem que dificilmente esquecerei enquanto viver. Em parte pelos índios que ali viviam, os belos e enigmáticos Pakaas-Novos, em parte por ter presenciado a maneira como Denise Maldi se relacionava com eles.
(...) Antropofagia era assunto tabu, não gostavam de mencionar, a inibição impedia, provavelmente por conta da influência missionária:
- Ninguém precisa falar nada, se não quiser – disse Denise.
Mas, para ela, os Pakaas-Novos falaram. Esclareceram que a preferência ia para os braços e as pernas, e que os últimos rituais teriam sido realizados nos anos 60.

3 comentários:

Pedro Ayres disse...

Lilian,
estou escrevendo porque me deu uma saudade imensa dos tempos românticos do "Crítica". Esta saudade veio logo que decidi voltar a escrever sobre o mesmo assunto, política internacional brasileira e economia. Lembrei de ti, porque certa vez me falaste que teu pai era um assíduo leitor das minhas linhas.
Por sorte hoje temos a Internet e assim pude matar um pouco essa doce saudade. E se te interessa saber fui amigo e colega do Possidônio na UH.
Beijocas
Pedro Ayres

A. Araújo Ramos disse...

Pedro,
a Lilian respondeu:

resdposta para pedro ayres,
pedro. também me lembro de vc. e das suas matérias na crítica. é estranho, mas os tempos passados acabam batendo 'a nossa porta.
tudo de bom pra vc. abraço da lilián

Paloma disse...

Lilian:
me ha gustado muchísimo verte en las fotos de la presentación del libro. Enhorabuena!!!.
estoy deseando tenerlo en las manos, entonces podré comentar algo más sobre TU libro.
un fuerte abrazo
Paloma