quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Os textos de Aguinaldo Araújo Ramos

Aguinaldo Ramos em Rondônia, 1982, foto Lilian Newlands

Fotógrafo do Jornal do Brasil, Aguinaldo Ramos viveu, ao lado de Lilian e Apoena, ao viajar pelas principais aldeias indígenas de Rondônia nestas semanas do ano de 1982, uma das suas mais importantes experiências profissionais, das quais fala em seu depoimento O Caos de Apoena:
E se há outra coisa que eu não compreendia era a vida do Apoena.
Quer dizer, tecnicamente ou sociologicamente (ou por qualquer um desses critérios que se inventa para explicar porque é que deixamos de fazer o ideal e simplesmente carregamos nosso piano cotidiano), aí é muito fácil... O cara era filho de sertanista, viveu desde guri entre brancos e índios, acompanhou muitos primeiros contatos, não tinha mesmo nenhum motivo para preferir ser bancário (e sei que há nisso uma ironia mortal...). Certo. Mas, porque persistia nesse esforço insensato de administrar o caos?

Colabora ainda, na edição do livro, assinando um rápido perfil de Chico Meirelles, pai de Apoena:


Em 1939, em Guajará-Mirim, conheceu Abigail, moça belíssima, com traços de descendência dos índios quíchuas. No mesmo dia, foi falar com seu irmão e, pouco depois, os dois partiam para a área dos Pakaá-Nova. Os índios, de uma região cortada pela ferrovia Madeira-Mamoré e freqüentemente invadida por seringueiros, estavam em guerra. No correr dos três anos de atração, em que muitos trabalhadores do SPI foram flechados (onze deles mortos), nasce sua primeira filha, Lídice.




Chico Meirelles na revista da Funai



E participa também com um pequeno mas incisivo ensaio sobre as condições do período final da vida de Apoena Meirelles:
Neste ponto se inicia a última etapa da vida de Apoena Meirelles, abre-se o último capítulo da sua amorosa relação com o índio brasileiro. Não que a sociedade tenha lhe dado o tratamento de “herói reabilitado” ou de “salvador da pátria”, que não caberia (nem ele assumiria...), mas sua nomeação para coordenador da força-tarefa para a questão da mineração de diamantes na área da Reserva Roosevelt, reconhece nele autoridade e experiência para promover o diálogo entre os Cinta-larga e os invasores.


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